TRADUTOR

08 fevereiro 2011

A Percepção

No ano de 2006 o Renan já estava no pré III, logo ingressaria na primeira série do ensino fundamental e novamente eu me perguntava, onde matricularia meu filho?
Um dia conversando com uma das minhas cunhadas, ela comentou sobre uma escolinha chamada Curumim, lá eles tinham desde o maternal até a 8ª série. Fiquei super empolgada, fui até a escola e a recepção me surpreendeu. A diretora era uma pessoa maravilhosa, me deu toda atenção, disse que seria um prazer em ter uma criança especial entre eles. No início os alunos receberão o Renan com muito carinho, eles disputavam quem o ajudaria a guardar e carregar seus materiais, tudo corria muito bem até que um dia percebi meu filho quieto, sem querer conversar e até mesmo comer, isso me preocupou demais. Essa situação durou mais ou menos uns três dias, quando decidi que era hora de me trancar no quarto com ele e conversar. Acho que foi uma das conversas mais difíceis que tive com ele.
Perguntei o que estava acontecendo e ele com os olhos cheios de lágrimas me olhou e disse: “mãe, não é verdade que eu não sou anão?”, como é difícil você ter que encarar o seu filho numa situação como essa e dizer a verdade por mais que te doa e sem deixar ele perceber que seu coração está muito machucado, então respirei fundo, engolindo o choro e disse: “ não é verdade, você é anão”, lembro-me que ele me abraçou, começou a chorar e disse “eu não queria mãe”, deixei ele chorar e falar tudo o que ele queria, depois comecei a explicar, que ele sempre soube que era diferente das outras crianças, eu nunca escondi que ele era anão, falei para ele que eu como mãe também queria que fosse diferente, mas Deus na sua soberania havia sonhado com ele  dessa forma, pequeno e nós tínhamos que aceitar, disse ainda que o fato dele ser anão, não o fazia inferior a ninguém e mesmo tendo limitações ele era capaz de vencer todos os limites e ser uma pessoa muito bem sucedida.  
Após falar isso, eu perguntei o que havia acontecido na escola e ele me disse que um menino tinha o havia chamado de anão, a vontade que tive foi de ir a escola e reclamar, mas não fui, afinal o Renan precisava saber que isso sempre iria acontecer, o que eu fiz foi dizer que esse tipo de coisa, não podia afetar a vida dele e que teria que aprender a se defender diante disso, não brigando e sim fazendo com que as pessoas o conhecessem além da sua aparência com muito amor, mas o que era mais importante de tudo, foi que Deus o criou da forma como ele é e o nosso amor e admiração era tão grande que o víamos como um ser especial não pela deficiência, mas pela garra, alegria, força de viver e por ser um milagre vivo de Deus em nossas vidas. Essa conversa durou mais ou menos quatro horas e foi a mais difícil, porém muito gratificando, porque ele entendeu o propósito do Senhor na vida dele e deste dia em diante passou a dizer que mais importante que a aparência é ter Jesus no coração.


 "O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo."  (Sofonias 3 : 17)




2 comentários:

  1. Rosana Salviano Salabai9 de fevereiro de 2011 11:16

    Oi Gi! Mandei um e-mail prá várias pessoas indicando seu blog... todos que eu encontro contam que estão se emocionando e amando ler sua história... acho que depois vcs vão ter que vir aqui em Chapadão dar o testemunho hein? rsss!!! Bjs, amo vcs! Rô

    P.S.: Sobre o seu Post de hj, só queria dizer que achei a sua atitude muito correta de não ir "brigar" com quem feriu o seu filho. É muito importante que nós ensinemos nossos filhos a perdoar, pois desta maneira eles não guardarão mágoas em seus corações. Melhor do que ensinar a revidar é ensinar que existem pessoas que não sabem o que fazem, mas temos que orar por elas!

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  2. Rô,
    Em primeiro lugar gostaria muito de te agradecer por indicar o blog a outras pessoas...o único intuito que tenho é que todos conheçam como Deus é tremendo em nossas vidas e que devemos ser completamente dependentes D'Ele...Qto a testemunhar em Chapadão será um prazer...rsrs

    P.S.: Todas as vezes que ocorre algo desse tipo com o Renan, dizemos a ele que as pessoas ainda não o conhecem, mas quando passarem a conhece-lo será diferente. Depois de alguns dias ele sempre vem nos dizer que estávamos certos, aqueles que tiraram sarro da cara dele se tornaram seus amigos e com isso o perdão é liberado pelo seu coração.

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